Ministros do STF estão mais famosos que jogadores da seleção

A justiça ganhou o lugar do futebol! Numa conversa daquelas de retrospectiva entre amigos sobre o ano que passou - as famosas operações não ficaram de fora, com uma série de políticos e empresários presos, numa realidade sem precedentes no Brasil.

O churrasqueiro do clube fez uma comparação que sintetiza o pensamento do povo na transparência da justiça com oitivas transmitidas ao modo reality show, direto das salas de audiências. Assim, o interesse da imprensa pelas pautas dos tribunais fez o conteúdo ser democraticamente de conhecimento de todos.

As “sentenças” populares são céleres, muitas vezes não aguardam nem a própria notícia chegar ao fim, que dirá o direito de defesa. Pressa da modernidade.

A justiça tomou conta do noticiário em 2017 e será ainda mais latente em 2018, ano eleitoral, já anunciado pela própria mídia como o ano da judicialização, dependendo o lulistico resultado das urnas. Tendo em vista que há previsão para o julgamento do processo do ex-presidente Lula, o qual pode impactar na política.

Os nomes e rostos dos ministros do STF, juízes, integrantes do Ministério Público e policiais federais, ficaram mais conhecidos no Brasil do que os jogadores da seleção. De Curitiba ao Supremo, os brasileiros aprenderam os nomes que outrora eram mais íntimos no cenário jurídico.

Os exemplos são férteis, variados, o japonês da federal virou marchinha de carnaval, o juiz Sérgio Moro ganhou fãs -- durante os manifestos foi materializado na figura de um super-herói em tamanho tão pomposo quanto ao holofote virado para cada detalhe das operações, desta forma, até o Power Point conquistou seu momento de fama.

Decisões do STF são conhecidas pelos brasileiros, que despacham seus comentários nas redes sociais, por vezes, são simpatizantes das sentenças ou esbravejam e rotulam os ministros. O sentimento de amor e ódio com o árbitro dos gramados foi para suprema corte.

Cada cidadão quer participar e deixar para história sua opinião, fazendo do linchamento moral uma maneira de minimizar o suposto crime ocorrido, e assim, participam de uma sentença bem contemporânea, abarrotada de democracia. Decisões judiciais viram “memes”, dividem opiniões e se propagam na velocidade da internet, que nem sempre é tão lenta assim.

O início do discurso da ministra Carmén Lúcia cai bem para o desfecho do tema em questão: “Sua excelência, o Povo!”.

Pérsio Oliveira Landim, advogado, presidente da 4ª Subseção da OAB – Diamantino


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